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Este livro foi redigitalizado e corrigido por Raimundo do Vale Lucas, com a - старонка 35


da rapariga marcada, justinho o corpo dela deitado, de costas, até os cabelos espalhados, sabe, não é...

- Mas minha Nossa Senhora, seu Ciloca! Quem que então

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anda contando isso?

Alaíde passou a mão no rosto molhado.

- Gente que chegou ontem de lá. No mercado ficou cheio. Nossa Senhora de Cachoeira tem cabelo na venta. Trastejou com ela, está no castigo. Ela também anda a passeio,

vai pelo campo, vira uma moça, de vestido branco, o cabelo solto. A barra do vestido amanhece no altar, sujo do capim molhado. Um sujeito, lá em Cachoeira, meteu

na cabeça de saber quem era a moça passeando no campo altas horas da noite. De revólver em punho foi ver de perto. Seguiu ela, seguiu ela, até que viu ela entrar

pela porta da igreja e fechar-se por dentro. Pois o desgraçado do homem não se emendou, quis forçar a porta e foi só fazer força, deu um grito. Tinha quebrado os

dois braços. Os dois braços. E agora há pouco aconteceu outro caso contado pelo Estevão que não é homem de contar lorota. A D. Águeda, não sei se conhecem, uma senhora

que veio ano passado a Ponta de Pedras, cumprir uma promessa com o Santo Antônio do Nabor, trata das vestes da Senhora da Conceição. Um dia achou de levar a filha

para ajudar a mudar a roupa da imagem. A pequena viu e foi contar pras amigas as intimidades do corpo da santa. Pois três dias depois a moça não morreu louca? Louca-louca.

Caminharam silenciosos, o farol lambia a água empoçada, uma cobra saltou fugindo, as folhagens gotejavam, a chuva diminuía e um vento agitou as árvores negras e

fundidas no céu. Alaíde, mordendo os beiços, via Orminda estirada na torre e a filha de D. Águeda, louca-louca.

Quando chegaram a Mangabeira, Ciloca se deixou ficar para trás, ganhou um atalho. E gritou:

- Bom dia, Missunga. Bom dia, Alaíde. Já é madrugada. Veja o que você vai fazer com essa outra irmãgaua, Missunga. Vão procurar Santo Ivo?

A tosse sufocou-lhe a risada e Alaíde estremeceu, olhou o céu e um fio de cinzenta aurora desprendia-se do grosso novelo das nuvens da noite.

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41

Missunga aluga uma curicaca, pequena embarcação a vela, contrata o piloto Pedro Mala Real e manda soltar o pano naquela noite.

O rio, uma cobra de prata, se desenrolava na sombra e ia urrar na baía. A curicaca deslizava no visgo da cobra de prata, a maré enchendo trazia o bafo áspero de

mato podre e de bichos. O estirão foi se distanciando, com ele o medo daquelas trovoadas que arremessavam árvore contra os homens, reduziram Guíta àquele bagaço

de cabelo e sangue e àquele redemoinho na consciência. Vinha a saudade dela, seus cabelos sobre o poço, o pranto silencioso no seu ombro, a quentura da noite sobre

a nua mulher no chão como um caroço de manga, resto da infância e da virgem.

Alaíde, num inesperado gesto, abriu os olhos de Missunga para ver, disse, se os olhos dela estavam lá dentro. A escuridão não deixava. Ele, por isto, desejou casar-se

com ela, para torturar o pai, para torturar-se a si mesmo, o olhar de Guíta boiava aceso na água morta de seus olhos. A curicaca empinou, uma onda passou alta, Mala

Real firmou a cana do leme. A vela debateu-se, a noite ondulou, o mato desapareceu e um primitivo mar surgia, botos sopravam, seguiu-se a esparsa murmuração da água

espumando nas pedras de Lavandeiras.

Tinha na boca o gosto da maresia, do camarão frito, da cachaça e da ausência de Guíta. A cachaça lhe dava um perdão sem fim. Alaíde encheu-lhe a cuia e daí a um

pouco estava bêbado. Pediu comida. A água molhara a farinha. Mala Real parecia sumido na popa. A curicaca jogava. Missunga gritou:

- Cadê a farinha? Isto não é a terra da promissão? Está aqui!

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Fez um convulso gesto obsceno, caiu extenuado no fundo da curicaca. Alaíde temeu então que ele se atirasse, de repente, n'água. O mar engrossava, lodo, limo, sementes,

pedaços de ilhas desmanchadas, vômito das cobras grandes que rabeiam nos poços fundos. Estranha e alegremente, curvou-se para o bêbado e dava-lhes beijos como farinha.

Na popa, era o mudo homem domando a vela, o vento e o lodoso mar dos pesados rios da Amazônia. Apoiando a cabeça no braço de Alaíde, Missunga viu renascer, no calor

que vinha dela, o corpo esmagado de Guíta. E adormeceu.

Depois, muitas estrelas apontaram, a água oleosa se estendeu macia e Alaíde viu correr no alto uma estrela cadente. Como as velhas ensinavam, pediu uma graça.

- Estamos defronte do S. Francisco do Malato - boiou a voz funda do piloto. - Para onde vamos que o doutor não disse? Dormiu?

- Quando amanhecer nós sabe - falou Alaíde.

S. Francisco do Malato, murmurou, o santo de fama. Santo do tempo da Cabanagem. Os cabanos entraram no Malato e.picaram o corpo da imagem, principiou o piloto contando

para Alaíde. Não se sabe quantos homens eram e quiseram arrastar o santo para a praia. Mas não podiam com a imagem. Os pés se enterraram, os ombros vergaram, as

mãos sangraram. Não puderam com a força do S. Francisco. E assim ficou na sua capela. Quando ia a Ponta de Pedras para encarnar, era com festas que o povo o recebia.

Doutor Florêncio, o Calafate, negava que fossem os cabanos. Os brancos fizeram aquilo e botaram a culpa em cima dos caboclos. S. Francisco, de maneira alguma, podia

estar ao lado dos brancos. Seu lugar de santo era ao lado do povo, ao lado dos cabanos. Os brancos eram como os frades no Arari que amarravam os escravos de seus

engenhos e fazendas no tronco espinhento do tucumãzeiro e caçavam índio como se caça onça. Mas se foram os cabanos mesmo, alguma razão eles tinham, algum motivo

o povo tinha para picar de faca a imagem de S. Francisco. Talvez o santo ficasse ao lado dos brancos, andasse favorecendo os portugueses contra a Cabanagem ou, quem

sabe se o demônio, naqueles dias de luta, não se metera no corpo da imagem? Talvez fossem os pró-

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prios cabanos que tiraram o cão do corpo do santo, tiraram o cão

a faca, e doutor Calafate ria, ah!, ra preciso, como dizia nhá Fe-

do. Mala Real imitava a voz do Calafate.

S. Francisco tinha ainda a marca das feridas. Os barcos ancoravam defronte, os marítimos atiravam libras de cera na água ou levavam pessoalmente as promessas ao

pé da imagem. Espalhavam sua fama pelos nos, furos, ilhas, vilas, barracões. E a baía, lá fora, rezava durante a noite uma longa ladainha para o santo.

Missunga acordou, perguntou onde estavam, mandou que Mala Real atravessasse a baía. Alaíde apertou o cabo de bijarruna. As águas brincavam em torno da cuncaca, como

meninos em ciranda. Marajó ia se esbatendo, se afundando na noite, morno, misterioso, escuro como jacaré encalhado num balcedo. Do outro lado, subindo nas águas

em que a curicaca se embalava, a terra geral, a terra grande, ressonando na lonjura, país de ouro enterrado. Alaíde se ergueu, vencendo o sono, olhou rapidamente

a noite, voltouse para Missunga:

- Não. Volte. Está em tempo de se voltar. Se tiver de viajar vamo pra banda do Camará, de Soure. Que doidícia a sua, já passou a tonteira? Que remorso você anda

curtindo, ein? Credo! Mala Real, com a minha ordem, dobre.

Missunga, surpreso e dócil, beliscou de leve o queixo de Alaíde e fez o

tom caboclo:

- Comandante, já...

Ambos riram. Então Mala Real explicou que teriam de atravessar só de manhã com a maré. E o resto da noite os levou para o aningal da margem onde fundearam e esperaram

o dia. Alaíde baixou a bijarruna e escorregou para o fundo da curicaca, no mesmo instante adormeceu, alguém gritava dependurado num galho do pau amarelo. Ciloca

vestido de Judas com Santo Ivo debaixo do braço avançava sobre ela, Missunga, na janela de uma torre de igreja, chamava o povo para ver uma mulher se debatendo no

chão com o corpo pregado, era Orminda ou era ela? Mais parecia Dona Ermelinda.

Acordou, banhou demoradamente o rosto na borda da curicaca. Missunga ressonava, Mala Real migava o fumo.

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Costearam Jaguarajó, depois a boca do Arari com a Ilha das Pombas que virava navio fantasma navegando meia-noite pela baía. Viajaram, viajaram e viram ilhas azulando

na manhã um farol no alto, a igrejinha, as pedras de um barranco e canoas bolinando no largo.

Joanes.

Mala Real encalhou a curicaca na praia. Missunga e Alaíde rolaram na areia como ondas cansadas. Que pobre e ridícula aventura, murmurou. Lhe vinha o consolo de que

seu pai sofria e isso era bom, indispensável a seu pai. Naquela viagem talvez ele mesmo encontrasse uma solução inesperada. Talvez viesse de Alaíde ou do Mala Real.

E correria para Cachoeira para apagar a sombra de Orminda na torre da igreja e dar liberdade a Ramiro nas fazendas. Alaíde chamou-o, viram grandes pedras esculpidas

pelo vento e pelo mar. Certos blocos, trabalhados pelas ondas na enchente, estampavam nas pedras a agonia e o terror dos náufragos, a alegria e o espasmo dos peixes

no amor, o desespero dos temporais e a máscara dos ansiosos horizontes. Certas paisagens só podiam existir no fundo do mar ou no fundo das consciências. Deixaram-se

ficar ali o resto do dia e a noite. E ao amanhecer estavam colados na areia, sem ânimo para continuai' a viagem. Mala Real mais adiante parecia dormir. O sol era

um olho de boto vermelhando nas águas crescentes. Sob as pedras um esconderijo de areia como um pequeno túmulo. Ali naquela hora Missunga estirou Alaíde.

Ninguém passava na praia. Mala Real trouxe ajurus, comeram peixe assado e decidiram continuar a viagem.

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A curicaca não parou na boca do Paracauari. Os coqueiros de Salvaterra acenavam. Os ajuruzeiros da praia, a palhoça de paxiúba, as montarias de pesca, não, não havia

coisa alguma ainda que abafasse a voz de Guíta, apagasse o olhar, aquele tão imaginado olhar no instante em que a árvore...

Mala Real não compreendia, mas satisfeito de participar e orientar aquela viagem. Havia depois de contar uma história. Alaíde sorria.

Na praia de Araruna onde a areia engolia as palhoças e os coqueiros, os viajantes comeram, com tão ingênua e rude delícia, a tainha assada do velho Chico Maria,

comissário fiscal municipal e negociante de pesca. Apreciaram um cantor que andava divertindo o povo das praias nas grandes pescarias do ano. Alaíde ficou quase

preta do sol. Tinha um cheiro de duna ao sol, de rede de pesca enxugando. Os búzios das canoas chamavam o vento e para Missunga chamavam também a voz de Guíta. As

longas redes de pesca secavam e mulheres lavavam e estendiam roupa ao longo da praia. Os coqueiros ao vento dentro das areias que cresciam, como se debatiam para

salvar-se. E os olhos de Alaíde eram aquela areia e solidão, redes escuras, palhoças desfazendo-se e coqueiros mergulhando na areia como mastros desaparecendo nos

últimos instantes do naufrágio.

Missunga cavou coco de dentro da areia em que se enterravam os coqueiros carregados. Depois pediu a Mala Real que o levasse até a ilha dos Machados onde os caboclos

ainda não conheciam dinheiro. Mala Real achou arriscado. Dali melhor voltar ou ir a Cajuúna. Alaíde ia apanhando caranguejo soiá, caranguejos que andam sobre a lama.

Ela não sabia tirá-los dos buracos como o povo do Salgado. E Mala Real ficava migando tabaco na curicaca que no Araruna recebia o nome de Tapuruquara.

No Cajuúna, Missunga lembrou Felicidade. A febre e os vermes das crianças. As mulheres magras espiavam. Os homens, soturnos, na venda, bebiam vagarosamente como

condenados. Missunga sentiu aumentar o seu desassossego. Chamou Mala Real:

- Mas isto é uma viagem maluca. Sabe Mala Real, eu ando doente.

286

Mala Real abanou a cabeça. Alaíde mexeu:

- Doença de branco é saúde do pobre. E seu olhar caçoava.

E no Pesqueiro, quando a maré enchia, as vagas luzes do povoado se apagavam e as canoas no igarapé ficavam mortas na sombra, subiu o pano da curicaca. Então Alaíde

desejou vagamente ficar numa barraca, no Araruna, entre as redes e as dunas que engoliam os coqueiros e as palhoças. Bonito ver a praia, pescadores vinham do Toré,

do Cambú, da lonjura. Aqueles não tinham o luxo de uma aventura, pensava Missunga, suas aventuras eram de todo dia, por força do destino, tão necessário e como a

areia do Araruna. Alaíde voltava acreditando que a viagem acabaria numa alagação na costa de Soure e do Camará. Missunga, para adiar a viagem, se metera no relancinho

na venda do Pesqueiro. Voltava depenado. O dinheiro que restava, Alaíde guardara na bautinha de folha.

- Tá em tempo de ir embora. Seu pai lhe espera. Alaíde mergulhou os olhos dentro da noite, as mãos frias e

submissas no ombro do companheiro. E seu pensamento: Ele pensa agora na morte de Guíta? Tudo isto é mesmo porque ela morreu daquela forma? Será que Guíta estava

de filho também? O filho dela era melhor que o meu? Coitada, morreu, não devo pensar nada, nada contra ela. Era também uma pobre. Sua alma pode me perseguir. E este

homem está perfeito do seu juízo? E assim se atreveu:

- Você fez malineza na finada e me pegou de consolação pra esta viagem. Me deixe numa praia dessa, é que é! Quem me consola de perder meu filho?

Missunga, de olhos cerrados no fundo da curicaca, tão imóvel na sombra, que Alaíde lhe tocou quase violentamente com as mãos molhadas de lágrimas. Uma onda avançou

e banhou-lhe o rosto, os cabelos, Mala Real gritou:

- Molhou?

- Ora não brinque, seu Mala Real. No meu cabelo. Falou baixinho a Missunga:

- Mas uma coisa lhe digo...

287

Outra onda lavou a curicaca. Alaíde ergueu-se:

- Isto é fora de propósito, não maline, seu Pedro Mala Real. Me molhou toda. Não está defendendo a canoa da mareta.

Como se conservasse silenciosa, espremendo a barra do vestido, Missunga estendeu a mão para tocá-la:

- Diga o que ia dizer, comandante, ande...

- Esqueci já.

- Então era mentira. -Era.

- Era, Alaíde?

- Sua boca não está dizendo que era?

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43

Entraram no rio da Fábrica, Mala Real os agasalhou numa barraquinha escondida atrás dum açaizal. Aí ficaram. Alaíde pescava, acompanhava-o nas imaginárias caçadas.

Ele voltara do aturiá, exausto, bebia a tiquira que comprara em viagem. Alaíde aprendia a atirar com a sua espingarda. Um dia matou uma mucura. Ele perguntava a

Alaíde se havia liamba no rio da Fábrica. Queria fumar liamba para um sonho no fundo

3'água. Liamba?, indagou-se a si mesma a cabocla. E_lhe vinha a lembrança da planta, o fumo trazia visões e o esquecimento tão suave "do que havia de mais péssimo

neste mundo". Sua mãe contava de certo Bento Triste que de tanto fumar liamba teve um repente, atirou-se na maré com um grito nem nunca mais.

- Mas é por isto mesmo que quero, Alaíde.

- Pois se atire logo na maré, ora esta. Não precisa liamba. Se atire que lhe prometo procurar seu corpo e tratar de sua sepultura.
2010-07-19 18:44 Читать похожую статью
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